Situada a Sul de Coimbra, Almalaguês é a freguesia deste concelho com maior Área. Tem como limites, a Norte as freguesias de Ceira e Castelo Viegas, a Noroeste e a Oeste as freguesias de Assafarge, a Sudoeste o concelho de Condeixa, a Sul e Este o concelho de Miranda do Corvo.

A origem do topónimo de Almalaguês parece residir num tal Zoleimam Almalaki, um nobre muçulmano que era proprietário de Vila Mendiga no ano de 1088. Deve remontar portanto aos inícios da reconquista e repovoamento a Sul do Mondego como bem o atesta a torre de defesa situada na região de Bera. Contudo só aparece documentada a partir do século XII época em que teve carta de povoação, tendo sido dada no século juntamente com Cernache, pelo Infante Regente D. Pedro, a Guilherme Arnaut.

Outros defendem que a origem do topónimo reside no facto da aldeia, como sendo de origem árabe, provém da palavra “AI”, artigo árabe que significa “colonos de Málaga”.

À semelhança das aldeias Árabes, apresenta uma rua principal, mais ao menos a meio do povoado, e uma outra lateral, que partindo desta a vai encontrar noutro ponto a que chamam corredoura. Ainda hoje se mantém esta denominação.

Apesar da sua origem árabe, sabe-se que por ali passaram e habitaram outros povos – Celtas e Romanos – verificadas estas influências e vestígios, no castelo de Torre de Bera, séc. XII, que é uma fortificação celta, e ainda na denominação de Castro da Senhora da Alegria, na povoação com o mesmo nome, onde se sabe ter existido um castro romano, hoje já desaparecido.

Existem em Almalaguês, três zonas historicamente distintas com características e costumes bem diferenciados, que correspondem à passagem por ali de colonos Celtas, Árabes e Romanos. Assim, uma zona tipicamente Celta, que se denomina região de Bera, na parte Nordeste; uma região central árabe abrangendo a sede de freguesia – Almalaguês; e outra que se estende de Este a Sul, com características Romanas.

Outras curiosidades

Conhece-se o Castelo da Torre de Bera, como uma das fortificações celtas que fizeram parte da linha de defesa a sul do Mondego, mas é hoje tido como evidente que outras duas faziam também parte desta linha defensiva a saber: Torre Caniardo referida no século XII em Abeleira e na zona do Castro da Senhora da Alegria, uma outra que deu origem ao topónimo de Monforte (Monte + Forte = Fortificação ou Castelo no local).

Outras datas nos sugerem a nossa antiguidade e riqueza histórica e patrimonial, como a identificação da arquitectura da fachada da casa no Lugar do Terreiro, datada do século XVI, ou a constatação da oferta do Púlpito da Capela de Senhora da Alegria, por Teodósio Abreu em 1634, ou a observação das datas, 1699 e 1891 inscritas no Santo Cristo, ou a observação dos dos ex-votos da Capela da Senhora da Alegria onde se verifica ser o mais antigo datado de 1727, ou a constatação de que é de 1748 a fachada da Igreja Matriz de Almalaguês, ou a verificação do 1849 como data do Cruzeiro Manuelino situado no Adro da Igreja de Almalaguês.